Congresso 2015

Congresso 2015

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

3° Congresso no Youtube!


Confira o 3° Congresso sobre Gestão de Pessoas no Setor Público Paulista na íntegra, a qualquer hora do dia ou da noite. São 20 mesas sobre temas que vão do futuro da gestão pública à ética. 

O 3° Congresso sobre Gestão de Pessoas no Setor Público Paulista  reuniu mais de 1.500 líderes e profissionais de RH para discutir os rumos da gestão de pessoas no setor. O evento ocorreu nos dias 18 e 19 de novembro de 2014, com muitas ideias, reflexões e insights para pensarmos na nossa atuação para a transformação da gestão pública pelas pessoas,

Disponível em nosso canal online do youtube.com/ucrh21. Não deixe de compartilhar e se inscrever em nosso canal para receber as atualizações semanais do canal.

Link para acesso a todos os vídeos: Clique aqui 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Quando o feedback não é uma prática: consequências




Série Conversações  - 2° episódio


Feedback é o tema de nossa série conversações com a presença de Samanta Luchini, consultora e coach especializada em comportamento humano.

O tema do segundo vídeo da série é: "Quando o feedback não é uma prática, quais as consequências?"

Dar um feedback pode não ser fácil. Lidamos com insatisfações, expectativas. Gera muita tensão e estresse, para quem dá e para quem recebe. Frente a estas dificuldades muitos optam por não fazer uso do feedback em seu dia a dia. Mas será esta uma escolha correta? Quais as consequências desta escolha.

Não perca!!

 

Portal de Concursos Públicos do Estado de São Paulo





Apresentamos o Portal de Concursos Públicos do Estado de São Paulo, um novo canal de disseminação de informações atualizadas sobre todos os concursos públicos realizados no âmbito da Administração Direta e Autárquica da Administração Pública Paulista.

Agora você poderá acompanhar, os próximos concursos previstos e com inscrições abertas, além dos concursos em andamento e encerrados.


Acesse: http://www.concursopublico.sp.gov.br/.


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Entrevista com Rita Kietis



Rita Kietis Vivolo é psicóloga e  servidora da Secretaria da Saúde. O tema de sua dissertação apresentada ao Programa de Mestrado Profissional em Saúde Coletiva foi: 'Afastamentos por problemas de saúde dos servidores públicos estatutários da Coordenadoria de Serviços de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo'. 


Vamos saber um pouco mais desse interessante trabalho.


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O que a levou a fazer um estudo sobre a saúde dos servidores da Coordenadoria de Serviços da Saúde da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo?
Trabalho na Secretaria da Saúde há 21 anos, sendo boa parte deste tempo atuante em Unidades de Atendimento e pude acompanhar a dura rotina dos trabalhadores que prestam serviços de Saúde Pública à população, observando o desenvolvimento das atividades, as cobranças, a falta de incentivos externos, o descrédito da população usuária do sistema, os níveis de estresse, o adoecimento e a proximidade com histórias difíceis que terminaram em afastamentos definitivos de suas funções e até suicídios nos locais de trabalho.
Ao presenciar o sofrimento daqueles que são responsáveis por cuidar das pessoas doentes sempre vinha o interesse em compreender o processo de adoecimento e conhecer os motivos, e mais do que isto, estudá-los com o objetivo de pensar em estratégias possíveis de aliviar, evitar e prevenir as suas consequências e poder zelar por um ambiente mais sadio em conjunto com estes trabalhadores.
Foquei a pesquisa na Coordenadoria de Serviços de Saúde porque é a que concentra a maior parte dos trabalhadores dentro dos 44 hospitais e 4 ambulatórios sob gestão direta e que, portanto, representa a vocação da Secretaria da Saúde à população. Foi analisado o banco de dados com 35.044 registros dos servidores no ano de 2011.

Quais as principais causas dos afastamentos dos profissionais da área da saúde atualmente?
Observou-se que os motivos de licenças em mulheres estão mais frequentemente associados a doenças do sistema osteomuscular e tecido conjuntivo, com 23,7% das menções; transtornos mentais e de comportamentos, 20,2%; lesões, envenenamento e algumas outras consequências, 9,6%; e doenças do olho e anexo, 9,2%.
Entre os homens os mais frequentes foram os seguintes: transtornos mentais e de comportamentos, com 20,4%; doenças do sistema osteomuscular e tecido conjuntivo com 16,2%; lesões, envenenamento e algumas outras conseqüências, com 12,8% e doenças do aparelho circulatório com 10,8%. Segundo a duração do afastamento, observamos que as que as licenças mais curtas são mais frequentes em mulheres (somam 60% entre 3 e 30 dias) e as mais longas em homens, somando 56% entre 15 a 60 dias.

Qual é o perfil do servidor que mais adoece na área da saúde?
Se pudéssemos definir um perfil padrão do trabalhador da Saúde, este seria assim caracterizado:
Sexo:  feminino - 70%
Idade: entre 41 a 50 anos - 36%
Nível: intermediário e com escolaridade equivalente ao ensino médio ou técnico completo- 46%
Área de atuação: Saúde - 71%
Unidade de Lotação: Hospitais - 95%
Classe profissional: Auxiliares ou Técnicos de Enfermagem - 33%
E é o trabalhador que tem mais ausências por licenças saúde com 55% dos casos.

Quais os problemas decorrentes do elevado número de afastamentos dos profissionais dessa área?
Podemos analisar a dimensão destes afastamentos na Secretaria da Saúde sob dois prismas principais: Gestão de Serviços e Gestão de Pessoas.
Do ponto de vista da Gestão dos Serviços, temos que considerar a ocorrência em torno de 1.200 afastamentos/mês, portanto, aproximadamente 14.400 ao ano. Os maiores hospitais possuem padrão de lotação em torno de 1.000 a 1.200 servidores, portando os afastamentos representam praticamente um hospital fechado por mês ou uma redução de 27% na capacidade de atendimento à população, sem considerarmos na estimativa os afastamentos de trabalhadores celetistas e o impacto do custo financeiro para os cofres públicos. Além disto, não existe um sistema pronto para obtenção de dados e acompanhamento sistemático de indicadores relativos ao absenteísmo por afastamentos médicos.
Do ponto de vista da Gestão de Pessoas e a Saúde do Trabalhador, que traz prejuízos incalculáveis, é um desafio manter um nível de qualidade de vida entre os servidores, enquanto os afastados, que geralmente não costumam ser substituídos, e os demais que permanecem em atividade que podem ficar sobrecarregados, sujeitos a elevação do nível de stress, desgaste físico e emocional, comprometendo a qualidade, eficiência e a humanização na assistência. Vale ainda destacar a importância de observarmos um resultado alarmante, já que a segunda maior causa dos afastamentos com 20% dos casos estão relacionados a transtornos mentais e comportamentais, que inclui casos de relacionados à Depressão, Ansiedade, Transtorno Bipolar, Esquizofrenia, Psicose e Dependência de Álcool, Crack e outras drogas.

Em que sentido é preciso avançar para diminuir esse problema? O que poderia ser feito? 
Acredito que as medidas a serem tomadas também poderiam partir destes dois primas, do ponto de vista da Gestão de Serviços é fundamental implantar mecanismos, um sistema, que permita acompanhar estes afastamentos, possibilitando a emissão de informes, relatórios e a definição de indicadores para avaliação. Com estas informações seria possível traçar políticas de prevenção, diagnóstico precoce, tratamento e reabilitação dos trabalhadores.
Do ponto de vista da Gestão de Pessoas, ao analisar os afastamentos por problemas de saúde, observar as causas e avaliar o clima organizacional aponta-se para a necessidade da implementação de uma política de Saúde do Trabalhador, de viabilizar o resgate da autoestima e a reconstrução da imagem do servidor público, promover e preservar a saúde de quem presta serviços de saúde, enfim, cuidar de quem cuida.


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Publicado originalmente no e-zine nº 36, de 26/01/2015.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

PAPRH Diálogos - Atratividade do Setor Público

Venha conosco discutir as expectativas dos servidores públicos ingressantes e os fatores de atração das carreiras públicas, a fim de ampliar a reflexão sobre a conexão entre as pessoas e a missão organizacional.

O evento é gratuito. Solicite sua inscrição ao seu órgão setorial de recursos humanos.

Até lá !! 


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Desafio à gestão de pessoas: por que é tão difícil mudar?

Dentre as palestras magnas de maior sucesso do 3º Congresso sobre Gestão de Pessoas no Setor Público Paulista, está a de Pedro Calabrez – Desafio à gestão de pessoas: por que é tão difícil mudar?, mediada por Luiz Palma.

A resposta veio no segundo dia do congresso, quando o médico, neurocientista e professor da Unifesp, Pedro Calabrez, assim iniciou sua palestra:“Eu dedico a minha vida a estudar o cérebro humano. Cada cérebro humano possui cerca de 100 bilhões de neurônios. O número de conexões entre eles é maior que a quantidade de átomos no universo. Isso num cérebro apenas. Isso dá uma noção da magnitude da complexidade do cérebro humano”.

Calabrez explica que o cérebro tem uma dificuldade enorme para a mudança de comportamento. O que ele faz é um processo de autoengano.  “Imagine que a mente tem várias pastas, como um computador. Ela rejeita tudo que incomode, que contrarie o conteúdo da pasta. Nosso comportamento é muito mais irracional do que se pensa”. 

Esse comportamento irracional, automático, nós chamamos de hábito. Isso faz com que a gente adote comportamentos padronizados sem gastar energia, e sem perder muito tempo. O hábito é muito agradável, e mudar significa quebrar hábitos. Isso é difícil por que quando se quer mudar um hábito vem o autoengano, e você em vez de mudar posterga para o futuro. Essas promessas de futuro nos impedem de mudar agora, o que traz consequências seríssimas para a gestão de pessoas nas empresas, já que todo mundo tem hábitos. Elas estão há muito tempo fazendo a mesma coisa, por que isso é agradável, automático e gasta pouca energia. Mudar acaba sendo difícil, demanda energia e torna-se desagradável, o que leva à enorme tendência que temos de nos enganar.

O autoengano é tão mais poderoso quanto mais difícil for mudar a situação.Mas o ser humano adora apontar o dedo pra fora. A culpa então é do chefe, do governo, a culpa é sempre é dos outros. “Quando você aponta um culpado, você tira a culpa de si próprio”, esclarece ele.Como mudar o hábito, então? Todo hábito tem três grandes dimensões. A mais óbvia é a do comportamento automático que se repete sem gasto de energia. Isso sempre gera uma recompensa. Mas antes sempre há um gatilho, algo que detona o comportamento.
“Se você quiser mudar um hábito, preste atenção naquilo que leva ao hábito”, explica. Sempre há uma situação que nos leva a repetir o hábito. A segunda dica é mudar uma coisa de cada vez.

Antes de finalizar, ele lembra que o mundo está sempre mudando. “Então, em vez de ficar apontando o dedo para o mundo, pare de se preocupar tanto com o que está fora do seu controle e comece a mudar aquilo que você pode: o seu comportamento de fato. O mundo não muda com crenças, o mundo muda com ações”, recomendou a todos.

O mediador Luiz Palma – psicólogo e técnico da Fundap – ponderou que a mudança também exige um antagonismo, e se faz com utopia, união e uma perspectiva de transformação histórica. “Acrescento isso para que possamos nos perceber como sujeito histórico e não ficarmos com esse peso sobre nós mesmos. É possível mudar o mundo em conjunto, num contexto histórico e sob condições motivadoras, mas quantas organizações oferecem de fato essas condições? Sinto que todos desempenham um script predefinido”, questionou. Segundo ele, o direito público só permite que se faça o que a lei determina, em um mundo de incessantes mudanças. “Essa talvez seja uma das primeiras revoluções: mudar não só o indivíduo, mas a configuração das instituições”, questionou.

Calabrez observou que o conhecimento neurocientífico não considera o cérebro humano de forma isolada. “A gente sabe que a maior prioridade do cérebro hoje é pensar sobre outras pessoas”, alertou. Basta perceber o quanto pensamos em outras pessoas todos os dias. Nosso cérebro é social, ele está o tempo todo integrado com outros indivíduos. Ele não está diretamente conectado com outros, o que gera certo egocentrismo agravado pelo individualismo que temos hoje.

Segundo ele, vivemos em uma sociedade, especialmente a ocidental, em que as pessoas agem cada vez mais como indivíduos, e menos em grupos. Esse processo histórico, e até econômico, faz com que as pessoas percam o respaldo do outro. E perder o respaldo do outro é perigoso, por que essa é uma das principais garantias de conforto e alegria. A principal variável para a felicidade é a qualidade das relações. Essa deve ser a nossa preocupação, pois só elas podemos controlar. 

Outra pergunta apresentada foi “como mudar o coletivo apenas mudando a si mesmo”? A gente tem que ter objetivo, tem que ter desafio. O stress é uma coisa que faz mal, todo mundo sabe. Existe um tipo de stress que na medida correta nos motiva. Isso é o que a gente chama de desafio. O desafio é necessário ao engajamento. O engajamento é uma atividade que oferece um desafio que esteja em linha com as suas competências. Se o desafio for muito grande em relação a elas, você estressa. Se for pequeno, você fica entediado, fica desmotivado. Então os gestores precisam  oferecer desafios adequados às competências dos seus colaboradores. Essa é uma boa forma de promover as mudanças no nível individual. O que acontece na maioria das vezes é uma distribuição errada dos desafios.

Como quebrar hábitos acima dos 50? Tem gente que acha que a partir de uma determinada idade não precisa mais mudar. “Todo mundo tem que entender que a mudança é benéfica em qualquer idade. O sabor da vida é a mudança, é o desenvolvimento é a aprendizagem. Quanto mais você mantiver seu cérebro ativo, mais você vai evitar doenças como Alzheimer e esse tipo de coisa. Isso vai te fazer viver mais e melhor”, conclui.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Principio da eficiência e a Gestão de Desempenho


Nesta quinta-feira vai ao ar o terceiro vídeo da série conversações "A gestão de pessoas sob a perspectiva do direito administrativo", com o professor Carlos Ari Sundfeld, ex-procurador do estado de São Paulo, Doutor em Direito Administrativo, presidente da Sociedade Brasileira de Direito Público e professor da FGV-Direito São Paulo.

Neste vídeo o professor fala do princípio da eficiência e a sua influência na gestão de pessoas no setor públicos.


Assista e compartilhe!


segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Entrevista com os coordenadores do PAPRH Ivani Maria Bassotti e Thiago Souza Santos


Como e por que surgiu o PAPRH?

Ivani Maria Bassotti
Ivani: O PAPRH surgiu de uma proposta de trabalho da equipe da UCRH, resultado de certo inconformismo sobre como estava sendo tratada a questão da capacitação, inclusive no nosso próprio meio. 

Fala-se muito em política de recursos humanos que o governo deve adotar, mas não há conscientização dos gestores quanto a suas competências em relação à gestão de pessoas. Gestão de pessoas não se faz nos órgãos de recursos humanos. Gestão de Pessoas  é feita diretamente pelos gestores em geral. 


Um dos grandes entraves na gestão de pessoas é a ausência de definição de um perfil para os profissionais. É muito comum gestores pedirem mais colaboradores, e, quando esses profissionais não correspondem às expectativas, os gestores simplesmente os disponibilizam. Essa é uma das razões de termos, ao mesmo tempo, falta e excesso de pessoas no serviço público.


A administração pública tem vários entraves a superar. Os concursos públicos, por exemplo, são complexos, a estabilidade mais ainda. Se não houver um entendimento coeso – e tratamos essas questões –, sempre teremos inchaço ou insuficiência de pessoas na administração. 



Você acha que os concursos devem ser aperfeiçoados?


Ivani: Sim, deveriam ser mudados. O problema é enfrentar as questões que nós levamos para discussão no congresso, como a da rigidez jurídica, em que qualquer subjetivismo é rejeitado amplamente. É muito difícil selecionar pessoas nesse contexto. Os gestores também têm receio desses enfrentamentos e por isso acabam delegando essa tarefa às instituições que prestam esse serviço. 

Nem mesmo as áreas que demandam se envolvem na realização dos concursos, salvo algumas exceções, como áreas mais técnicas e especializadas (fiscalização e advocacia pública). Observa-se que, nessas áreas, há muito subjetivismo nos concursos, mas consegue-se quebrar barreiras. 


Não podemos nos esconder por trás dessa judicialização. Devemos demonstrar que estamos fazendo o melhor pela administração pública, que os critérios são mais eficazes, que a linha adotada será mais eficiente na seleção, que não se trata de subjetividade, mas de avanço para a administração.



Mas os gestores de RH podem fazer isso?


Ivani: Não se trata de tirar esses problemas do RH, mas de dividir isso com todos os gestores da administração. Conforme já disse, gestão de pessoas não se faz só no RH. Esse é o mote de todo o programa: fazer esse envolvimento. Não se trata de uma obrigação da UCRH, mas de todos os gestores públicos, com o apoio dos RHs. A conscientização tem que ser geral. Esse é o papel do PAPRH.



E qual é o papel das escolas de governo?


Ivani: Estamos tentando melhorar a interlocução para, juntamente com elas, alcançar um melhor aproveitamento da capacitação no Estado. 

Hoje, com tantas escolas dotadas de recursos próprios, cada um acaba olhando somente para a sua própria ilha, quando, na verdade, somos um grande arquipélago e temos que olhar para o contexto geral. Estamos buscando outras saídas para articular isso adequadamente em termos de capacitação no Estado. Nós podemos sentir essa necessidade, embora a incumbência não seja nossa.


A quem compete, então? Qual seria a solução?



Thiago: Nós temos competência legal em relação à capacitação, mas nunca houve coordenação das escolas. Há uma fragmentação no Estado a esse respeito, projetos isolados que nunca se conversam. Eles vão crescendo e virando pequenos monstrinhos. A gente vai fragmentando aos poucos e isso parece ser um “valor” na administração pública, não só no âmbito das escolas de governo. Torna-se uma moda, então vamos criar as escolas, depois a moda muda, então criam-se novas carreiras iguais, e depois muda tudo de novo porque não há mais interesse. Por isso estamos nos propondo a coordenar esse trabalho. Se nós temos competências em relação à capacitação, e as escolas são os grandes pilares de capacitação nos órgãos, nada melhor do que começar a conversar sobre isso. A ideia surgiu numa reunião do tecReg sobre o curso de formação em diversidade sexual em 2009, quando saiu o primeiro decreto. Percebemos que havia diversas iniciativas iguais sendo geradas sem qualquer tipo de interlocução. Isso provoca não só falta de direcionamento, como aumento de custos. Não são poucas as ações no Estado que são muito similares. As pessoas não se conversam.


Elas não competem entre si também?


Ivani: Sim, competem. E quem tem mais recursos compete em melhores condições. Há um desnível muito grande. Compras, por exemplo. Existem diversos cursos de compras oferecidos por escolas públicas e privadas. O Estado, apesar de possuir escolas pra isso, compra fora. Mas, quando você vai testar o conhecimento adquirido, percebe que está desnivelado. Se surge uma nova metodologia, só quem tem orçamento pode fazer, e só seus funcionários podem se inscrever, embora haja capacidade para atender a outras secretarias.


Thiago: Fizemos um levantamento neste ano a respeito da programação das escolas e descobrimos que 62% dos cursos eram recorrentes entre elas – excluídas as formações específicas das Secretarias de Saúde, Educação e Segurança. Para voltar ao exemplo da formação em compras, ela se repete em cada secretaria e suas autarquias, ao passo que haveria uma redução significativa de custos, ganhos de eficiência e nivelamento de qualidade se houvesse uma melhor articulação e integração de esforços.



Se a UCRH não pode fazer essa coordenação, o que poderia ser feito dentro de seus limites?

Thiago: Nós não temos a atribuição formal, mas existe um espaço de gestão em que basta ter boa vontade para fazer as coisas acontecerem. Como nós detemos a competência em matéria de formação, o que nós fizemos foi convidar as escolas a participar e colaborar. Ao final das reuniões, as escolas concordaram e até acharam que nós deveríamos assumir esse papel de coordenação das atividades. Há muitos anos discute-se a formação de uma rede de escolas, mas a ideia nunca avançou pra valer.



Em que pé está isso?


Thiago: Nós fizemos três encontros entre as escolas e entregamos as propostas ao governo. Mesmo que não haja formalização, pretendemos que as escolas atuem de forma integrada já a partir de 2015. Esperamos realizar mais encontros para discutir as diretrizes que as escolas adotarão.


Ivani: A formalização é necessária para permitir o empoderamento. Mas, se não for possível, vamos continuar o que já vínhamos fazendo no decorrer deste ano. Os encontros foram muito bons, todos veem as mesmas necessidades, todos concordaram. O fato é que há uma necessidade geral de interlocução entre essas “academias”, o isolamento nem sempre traz conforto.



O que vocês acham que deu certo? O que deixou vocês felizes?

Ivani: Os efeitos imediatos são sempre subjetivos. O efeito mais importante é a mudança de comportamento, mas ela nunca é imediata, requer algum tempo para acontecer. As ações contínuas é que são transformadoras. Se houver descontinuidade do trabalho que estamos fazendo, acredito que não vamos obter resultados. O bom do PAPRH é que ele está sendo contínuo. Mas uma pequena mudança de governança, como está sendo cogitada, deixa o programa frágil. A simples mudança pode colocar tudo a perder. Por isso estamos articulando com as escolas de governo para garantir a manutenção do programa. Quando digo que o programa vai bem é porque ele está crescendo. Mas não em quantidade e, sim, em qualidade, ano após ano. Ninguém duvida dessa qualidade, dos professores convidados, dos temas abordados, que são os mais úteis para os gestores, e das inovações para o setor público sem descuidar das questões do dia a dia. Está havendo maior consciência de que estamos no caminho certo, e isso é o melhor de tudo!


Como você percebe isso?


Ivani: Quando eu vejo a programação lotada, quando eu chego a um encontro de “Diálogos” e não tem lugar pra sentar, quando eu vejo o número de visualizações do “Conversações”,  as avaliações dos cursos pelos alunos. Está acabando aquela história de enviar alguém para treinamento só para se livrar dele. Quando você percebe essa mudança, é porque o programa está dando certo.


3º Congresso


Qual é a importância do congresso para o PAPRH como um todo?


Thiago: O PAP é um conjunto de ações. O congresso serve para congregar as pessoas em torno do futuro da gestão de pessoas. Ninguém vai a um congresso para aprender a mexer no Excel nem como fazer um concurso. O papel do congresso é reunir as pessoas para repensar um pouco os valores que nós carregamos, as nossas possibilidades, e também quebrar as verdades que a gente tem muito fixas nas nossas vidas. Não é à toa que todos os nossos congressos terminam com uma palestra que provoca a reflexão. Não se trata de um treinamento. O congresso não é um sucesso só porque as pessoas gostaram, mas porque elas puderam parar para pensar. Em breve, vamos começar a acompanhar melhor os resultados obtidos após cada uma das atividades do PAP, inclusive o congresso.

Ivani: O que os governantes precisam perceber é que não basta oferecer apenas treinamento. É preciso pensar em formação contínua, em desenvolvimento humano integral. Todos precisam dessa ajuda. Eu mesma me desenvolvi sozinha em 35 anos no serviço público. Somente a partir de 2004 é que começamos a oferecer um apoio maior ao aperfeiçoamento profissional dos gestores e servidores em geral.




É isso que você teme que seja perdido, se houver uma mudança de governança?


Ivani: Eu sempre tenho esse receio, porque não podemos parar. Isso depende de uma série de fatores, de orçamento, de quem será o coordenador da unidade, do secretário, do governante, ou seja, depende de uma conscientização geral.


Ou seja, voltamos à questão da continuidade...


Ivani: A UCRH conseguiu sobreviver a todas as grandes mudanças de governo. E não foi só porque está em lei. Foi porque teve a competência necessária para desempenhar o seu papel legal. Na administração de recursos humanos ela sobreviveu melhor, pois essa é uma matéria árdua pela qual a administração pouco se interessa. Porém, as demais áreas de RH ficaram relegadas, como a política para recursos humanos, de forma mais ampla, ou mesmo a própria capacitação, de forma mais específica. A nossa sobrevivência parece garantida. A forma e atuação são mais importantes.


Thiago: Sobreviver não é o bastante. Podemos continuar aqui e ficar inertes. A questão é menos legal e mais de postura de gestores. Existe um problema fundamental na administração pública com relação a “valores”. Muitos veem o setor público apenas como fonte de renda e pouca preocupação com a função e a missão públicas. Quando encontram uma situação difícil, é muito fácil se desmotivarem. A evolução é feita apenas pelo tempo de serviço, não se observa esse perfil . Há até quem goste de passar despercebido. Tem uma coisa de perfil, de quem comanda, em todos os níveis. Aqui a Ivani faz a gente se mexer, pra que a gente avance. Portanto, o problema não é legal. O legal poderia garantir uma sobrevida, mas não garantiria o crescimento da área de gestão de pessoas, não nos fortaleceria. Com o pouco que temos já fazemos muito.



O que falta para fazer mais?


Ivani: São poucas pessoas preparadas para fazer esse tipo de trabalho. Atualmente, a UCRH atua com 40 pessoas. Temos, por obrigação, de cuidar de toda a administração direta e autárquica. Então precisamos de mais pessoas? Não necessariamente. Precisamos de pessoas certas nos lugares certos. Esse é o grande “X” da questão.


Thiago: Essa foi uma das questões colocadas no congresso. A tendência é ter que produzir mais com muito menos gente, pois toda a população está envelhecendo. Esse é um desafio que pode parecer muito cruel, mas não é tanto assim, que é conseguir coisas mais efetivas com menos recursos. Isso não é para enxugar o quadro de pessoal pura e simplesmente. É uma realidade, as demandas estão crescendo muito por parte de toda a população, e existem ferramentas que possibilitam a redução de determinados tipos de trabalho burocráticos que antes demandavam muitas pessoas. Elas passarão a desempenhar atividades mais intelectuais, pois esse é o perfil da mudança, e irão atuar em outras áreas. Elas não serão dispensadas. O problema é quando você tem muita gente empregada e não consegue produzir mais.



O tema do congresso foi “uma nova gestão é possível”. Como ela será?


Ivani: Disse, em uma das mesas de que participei no congresso, que, se nós pensarmos que a gestão é possível, ela já será nova. O mais comum é acharmos que nada é possível, tudo é difícil, os entraves, nada pode ser feito. Mas não é assim. Há um equívoco, as pessoas esperam que as coisas aconteçam na administração pública diferente do que acontece na iniciativa privada. Na realidade, as dificuldades são as mesmas, então você tem que ir atrás e batalhar. 

Eu acredito na gestão pública, simplesmente. Quando a gente fala “nova” é porque há algumas questões em que precisamos avançar, modificar, repensar a administração e introduzir novas práticas, isso é evolutivo, é da sociedade. Você não pode imaginar que será “togado” a vida inteira. É a própria sociedade que exige a mudança. O novo vem disso. O quadro “Santo de Casa Faz Milagre”, do programa inovaDay, da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Regional, demonstra isso muito bem. Pequenas iniciativas individuais podem fazer uma grande diferença.  Procuramos estimular mais esse tipo de comportamento, e essa foi a grande sacada!


Thiago: A valorização dos servidores não deve ser apenas pecuniária. Valorizar não é só aumentar salário. Valorizar é reconhecer atitudes e comportamentos, não dar presentes. Isso vale com a família e com todo mundo. Com o servidor não é diferente. Esse aspecto da valorização é essencial, porque as pessoas às vezes acham que estão agindo sozinhas e entram no discurso de que por que eu vou fazer se não sou reconhecido nem tenho exemplo a seguir? As pessoas querem que o exemplo venha de cima para justificar a inação. Eu aposto que, em muitas coisas da vida, as pessoas não olham apenas o exemplo que vem de cima, olham aquilo que os pais ensinaram. O pessoal do Santo de Casa fez aquilo que achava que era o dever deles. A administração precisa demonstrar isso: que existe um sentido na função pública. É um equívoco fazer comparações com as empresas privadas, cujo desempenho frequentemente também deixa muito a desejar. As duas organizações em que a população mais confia são públicas: os Correios e o Corpo de Bombeiros. O maior índice de reclamações no Procon são das empresas privadas de telefonia. Mas o nosso esporte favorito ainda é o apedrejamento da administração pública.

Diálogos discutiu as aplicações da tutoria, da mentoria e do coaching na administração pública

Os Diálogos do PAPRH em 2014 foram encerrados no último dia 10 com um debate sobre as aplicações da tutoria, da mentoria e docoaching na administração pública, realizado no auditório da sede da Secretaria de Estado da Cultura, no Complexo Cultural Julio Prestes.


O evento reuniu Marcos Ferreira – doutorando e mestre pela FEA/USP em desenvolvimento profissional, professor da FIA/USP e da Universidade Anhembi Morumbi, ex-executivo de recursos humanos do banco ABN, da TAM e de empresas nacionais e internacionais; Devani Brito – coach e especialista em suporte à gestão da consultoria interna de RH da Prodesp; e Fabio Fernandes – coordenador da divisão de segurança da informação da Prodesp.



A abertura foi feita por Marcos Ferreira, que estabeleceu as diferenças entre as várias técnicas de estímulo ao desenvolvimento profissional existentes. A tutoria visa a acolher e orientar os jovens profissionais com o apoio de um tutor um pouco mais experiente, que também se inicia da atividade de orientação profissional. A mentoria promove o desenvolvimento de profissionais aptos a ocupar posições de gestão, sob a orientação de executivos em posições estratégicas. O aconselhamento de carreira é feito por um conselheiro interno a todos os níveis de carreira, enquanto o coaching executivo é destinado aos executivos responsáveis pela tomada de decisões.



Em seguida, houve o pronunciamento de Devani Brito, responsável pela implantação do programa de coaching da Prodesp, que descreveu como essa ferramenta foi implantada na empresa. Devani ressaltou a importância de indicadores como os de clima organizacional e liderança. O que nos impede de alcançar resultados melhores? Como ajudar? E citou Aristóteles: “nós somos o que fazemos repetidamente”. Após a definição dos indicadores, os próximos passos são atrair os parceiros, treinar e aplicar e, depois, avaliar os resultados. No final, fez um convite à plateia: pergunte a alguém em quem você confia o que você deveria começar a fazer amanhã, o que deve continuar fazendo e o que não deve mais fazer.



Os depoimentos foram encerrados por Fábio Fernandes – também funcionário da Prodesp e coachee de Devani – que descreveu com muito bom humor todas as aventuras e percalços do seu processo de desenvolvimento, “que não é só profissional, é completo”, segundo ele. “Você aprende a se desenvolver sob todos os aspectos”, revelou. Entre os benefícios do processo de coaching, ele citou a superação do medo e da ansiedade, aumento do equilíbrio e da harmonia, melhoria do foco e do planejamento, aperfeiçoamento dos relacionamentos e da comunicação e realização pessoal, profissional, afetiva e financeira.



quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Entrevista com Masukieviski Borges


A tecnologia é capaz de mudar processos. Ela também é capaz de mudar comportamentos? Como?

Os saltos tecnológicos proporcionaram mudanças de comportamentos na humanidade. Mas a transição dos comportamentos de uso e de como as pessoas se organizam para lidar com novas fronteiras de informação não se faz de modo homogêneo. E com isso há percepções e maturidades distintas sobre os processos de mudança.

Olhando com mais atenção, tanto a chegada de novas tecnologias quanto as mudanças de comportamento aparecem quase ao mesmo tempo. Estamos buscando novas alternativas de energia limpa, pois há riscos ambientais e de saúde por conta dos combustíveis fósseis. Utilizamos aplicativos gratuitos ou baratos para fugirmos de tarifas e impostos da telefonia.

Queremos computadores ou tablets mais leves, poderosos e versáteis, para levar o máximo de informações com um mínimo de peso. Mudam-se os hábitos, surgem novas tecnologias, mudam os comportamentos novamente. Mas as mudanças, sejam de comportamento ou tecnologia, não são iguais pra todo mundo.

As redes sociais romperam os limites rígidos entre o público e o privado. Quais as consequências disso para a gestão pública?

As redes sociais sempre existiram: o cochicho, o boato, as antigas "cartas anônimas" que espalhavam o terror e a discórdia em cidades do interior. O limite entre o público e o privado sempre foi um fio de navalha pois, enquanto seres sociais, sempre queremos mais informação, transparência e verdade.

Mas, antes, o tempo e o esquecimento ajudavam para que a vida seguisse sem sobressaltos. A diferença para as redes sociais digitais é que: o alcance é muito maior, a disseminação é gigantesca, a tsunami de comentários e julgamentos é exponencial. Uma informação privada pode percorrer o mundo em poucos minutos. E o mais importante: depois que está na internet, a informação jamais será esquecida. Ficará gravada por um tempo infinitamente maior do que a memória das pessoas poderia fazer.

Com relação ao que é privado - seja em instituições públicas ou privadas - é importante que se tenha critérios de autorização para uma correta manipulação do ciclo de vida das informações. Some-se a isso formas transparentes e éticas de lidar com informações privadas que possam se tornar públicas. Transparência e ética são parte de instituições maduras e em evolução permanente.

Quais os perfis de profissional e líder adequados a atender essas tendências?

Não há consenso sobre um determinado tipo de profissional ou liderança para lidar com novas tecnologias, comportamentos e atitudes. O que se discute muito são os propósitos e agendas que as instituições devem cumprir. Sincronizando propósitos e agendas, há melhores condições de trabalho colaborativo, mais convergência de inteligências, equipes multidisciplinares, tomadas de decisões mais rápidas e assertivas e liderança compartilhada.

Como não há receita pronta para a criação de profissionais ou líderes, é importante planejar e construir um ambiente mais saudável e positivo. É cada vez mais importante deixar de lado o perfil do "salvador da pátria" ou do "herói libertador", e apostar na criação de "equipes campeãs" ou "times que jogam junto".

Quais os riscos e oportunidades que o futuro nos reserva?

O problema não são os riscos. Eles podem ser previstos e evitados. A questão são as incertezas. Elas sim, deixam as instituições em estado de inércia.

As nossas incertezas bebem da fonte da baixa produtividade. Há poucas iniciativas e experimentações para buscar maior produtividade no Brasil. As poucas que existem ficam sob os olhares desconfiados das entidades de controle. Daí continuarmos no campo das incertezas, e arriscarmos pouco. Se olharmos com atenção, perceberemos que temos tecnologias tão modernas quanto alguns países desenvolvidos. Mesmo que não tenhamos a infraestrutura deles, já temos o suficiente para atrair futuros prósperos mais pra perto da gente.

A capacidade de atrairmos futuros prósperos está em arriscar mais em iniciativas e experimentações para sermos um país cheio de pessoas produtivas e inteligentes. O desenvolvimento de pessoas e instituições mais inteligentes irá mudar nossa crença de que os bons resultados só ocorrem por teimosia ou sacrifício. A inteligência humana é uma preciosidade que já está pronta e disponível, mas ainda a tratamos como um recurso primário.



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Masukieviski Borges  é Graduado em Psicologia pela Universidade Católica de Pernambuco (2003). Atuou na implementação de soluções junto a grupos criativos para geração de talentos. Executivo geral da Meira.com , empreendedor residente na Ikewai Participações e Investimentos. Desde julho de 2013 é o CEO da Ceement - Soluções em Conhecimento e Negócios, buscando criar coletivos de evoluções com engajamento.
Publicado originalmente no e-zine nº 30, de 15/11/2014.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Chega de atalhos! É hora de agir com estratégia!


por Sidnei Oliveira*

Talento. Essa força enorme que afirmam estar presente em todas as pessoas, mas que poucos conseguem acessar. É constantemente confundido com um superpoder capaz de eliminar qualquer barreira e trazer sucesso incontestável a quem o possui. Com esse tipo de pensamento, nos acostumamos a acreditar que pessoas com talento não precisam se preocupar com nada, pois a solução para o problema simplesmente irá surgir transpondo qualquer processo racional ou lógico.

Tal conceito é uma armadilha quando apresentado como uma explicação para o fracasso pessoal, pois retira toda e qualquer possibilidade de interferência sobre o próprio desenvolvimento individual, ou seja, o caminho é sempre mais fácil e simples para quem tem talento.

Tenho observado diversos jovens buscando insanamente o seu talento, como forma de identificar uma “poção mágica” que irá facilitar muito sua vida pessoal e profissional. Nessa busca, é comum encontrar aqueles que estabelecem um processo de tentativa e erro para suas escolhas. Começam um curso e abandonam ao menor sinal de insatisfação. Iniciam em um emprego e pouco tempo depois buscam outro em que possam ter mais satisfação ou melhor reconhecimento financeiro. Quando são confrontados sobre essas alternâncias de escolhas, apressam-se em justificar a atitude como uma busca por desafios em que possam mostrar seus verdadeiros talentos.

Não é assim que vejo!

Ninguém realmente precisa de desafios para “mostrar” seu talento. Os desafios servem, na verdade, para desenvolver os talentos. Creio que essas atitudes demonstram apenas uma busca por atalhos que antecipem etapas e tragam satisfação e reconhecimento no menor tempo possível.

Olhar o talento como um atalho para uma trajetória de sucesso é tratar seus dons com displicência. Desenvolver os próprios talentos é doloroso, trabalhoso e demanda sacrifícios. O talento é exigente! Está sempre requisitando tempo e dedicação para que ele se desenvolva.

Depois de uma Copa Mundial de Futebol, na qual o que prevaleceu foi a estratégia do time alemão, que escolheu o longo caminho do desenvolvimento, é importante lembrarmos que os atalhos constroem pontes frágeis.


Por isso, chega de atalhos. Está na hora de agir com mais estratégia!



* Consultor, Autor e Palestrante, expert em Conflitos de Gerações, Geração Y e Z, desenvolvimento de Jovens Talentos e Redes Sociais, tendo desenvolvido soluções em programas educacionais e comportamentais para mais de 35 mil profissionais em empresas como Vale do Rio DocePetrobrasGerdau,Santander, TAM, Unimed entre outras.

Formado em Marketing e Administração de Empresas, autor de vários livros sobre Liderança e Administração. É  sócio-fundador da Kantu Educação Executiva, Vice-presidente do Instituto Atlantis de preservação ambiental  e membro do conselho de administração da Creditem Cartões de Crédito e do Fórum de Líderes Empresariais.

É também colunista com artigos publicados nos portais Exame.comCatho OnlineClick Carreira e Café Brasil.

http://www.sidneioliveira.com.br/samba/

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Entrevista com Evelyn Levy sobre Gestão Pública

Que medidas a Administração Pública pode implementar para influenciar e inspirar os servidores a atingir os objetivos propostos?
As pesquisas vem demonstrando que o bom desempenho existe quando os servidores sabem quais são os resultados que devem atingir, que são recompensados por seu êxito e empenho – sob forma de remuneração e/ou reconhecimento – se recebem feedback de seus gerentes. A liderança também tem um papel importante na inspiração e condução dos servidores.

Verifica-se na Administração Pública que há muitas áreas com sobrecarga de serviços, enquanto em outras há um franco subaproveitamento da força de trabalho. Quais os mecanismos viáveis para implantar uma melhor distribuição dos recursos humanos no curto e médio prazos?
É preciso verificar quais áreas tem sobrecarga e quais tem déficit de força de trabalho; às vezes não é possível transferir os excedentes de uma área à outra. De toda maneira se impõe a necessidade do planejamento da força de trabalho. Esse estudo é que vai indicar quais perfis, e em qual quantidade, os processos de trabalho em execução exigem. É preciso vincular o planejamento da força de trabalho aos planos estratégicos das áreas e setores e ter uma visão de médio e longo prazo sobre as perspectivas da administração pública.

Como fazer com que o conhecimento prático dos servidores técnicos e operacionais, que conhecem os problemas das tarefas e rotinas administrativas, se transforme em soluções aplicáveis e em conhecimento compartilhado?
Esse é um problema de gestão do conhecimento. As organizações que gerem seu conhecimento, transformando o conhecimento tático (conhecimento prático dos servidores técnicos e operacionais) em explícito procuram captar esse conhecimento, avaliá-lo, sistematizá-lo e disseminá-lo. Nesse ponto gostaria de me referir ao trabalho “Gestão do Conhecimento e Inovação no Setor Público”, de Roberto Agune et allii do governo do estado de São Paulo, que sugere múltiplas estratégias para essa questão.

Considerando-se as limitações legais e orçamentárias, como a Administração Pública pode tornar-se atrativa, comparativamente à iniciativa privada, em termos de atração e retenção de talentos?
A administração pública já possui uma série de atrativos, o que pode ser confirmado pelo número de candidatos nos concursos. Há incentivos financeiros – entre eles a estabilidade- e não financeiros. Muitas das pessoas que escolhem trabalhar no setor público o fazem por se sentirem realizadas em contribuir para a melhoria da sociedade na qual vivem. Ou seja, atribuem um valor intrínseco ao trabalho que realizam. É, porém verdade que o setor público se tornou um mercado de trabalho muito mais dinâmico do que conhecíamos até recentemente e por isso a retenção se tornou uma questão a se preocupar, para evitar uma rotatividade que vem a ser bastante onerosa. É preciso então identificar, em cada nicho, quais são os incentivos que podem fazer com que se desenvolva um comprometimento entre os ingressantes e a organização.

A senhora identifica conflitos entre os interesses individuais dos servidores e os objetivos da Administração Pública? Se sim, quais seriam e como melhor trabalhar este conflito de interesses?
Qualquer organização exige que seus membros negociem e alinhem seus  interesses pessoais aos interesses coletivos; quanto mais democrática a organização, mais cada membro é capaz de exercer sua influência. Na administração pública porem, os ocupantes de cargos que foram eleitos devem ter a responsabilidade última sobre as organizações, pois a sociedade os escolheu e lhes delegou esse poder. Logo, cabe a eles determinar as orientações gerais das organizações. Assim, os interesses individuais dos servidores ficam subordinados aos desígnios mais amplos das organizações em que trabalham, restando eventualmente um espaço de flexibilidade para discussão sobre condições de trabalho.


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Evelyn Levy  é especialista em Gestão Pública consultora do Banco Mundial, do Banco Interamericano de Desenvolvimento, da União Europeia e do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Administração/CONSAD.
Publicado originalmente no e-zine nº 24, de 06/10/2014.